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Desde: 16/09/2004      Publicadas: 15      Atualização: 22/11/2004

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 Arte e o pensamento moderno
  16/11/2004
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A estética de Nietzsche
Uma análise sobre a estética de Nietzsche.
Basicamente a estética de Nietzsche deve muito ao conceito de voluntarismo que Schopenhauer atribui. A arte está para Nietzsche na essência e suas criações dão forma a vida. Por isso o fenômeno estético está intimamente ligado a existência do homem e da natureza (e sua relação com ela). "O homem já não é artista, tornou-se obra de arte: o que se revela aqui no estremecimento da embriaguez é, em vista da suprema voluptuosidade e do apaziguamento do Uno originário, o poder artista da natureza inteira" O artista em Nietzsche, é um imitador. Ele imita a natureza, porém a manifesta conforme as determinadas "pulsões artísticas".


Com isso a arte toma liberdade, pois não é somente uma atividade do espírito, como via Hegel, a natureza também será considerada artista, pois ela é criação, ela é vida e morte. "Somente enquanto fenômeno estético é que a existência e o mundo, eternamente, se justificam" (Pág 61, do Nascimento da Tragédia).


O que é belo para Nietzsche, é aquilo que aprova o mundo, que expressa o mais íntimo da existência.


A estética de Nietzsche é uma continuação da idéia da "Vontade" de Schopenhauer, e no "Nascimento da tragédia" não deixa de cita-lo. Neste primeiro momento, Nietzsche, sofrendo determinantes influências de Schopenhauer e Wagner, pessimista romântico, valoriza no sofrimento da existência humana a grande beleza artística.


Seguindo essa mesma observação Nietzsche acaba por falar em "introvisão" (neologismo utilizado pelo tradutor) logo no começo do "Nascimento da Tragédia". Seria uma característica da estética, algo além da simples verificação do que é lógico. Essa "introvisão" seria algo do mais subjetivo, que nasce da essência do individuo. O conceito de introvisão está intimamente ligado a questão do principuim individuations de Schopenhauer. Por isso, nesse caso, a beleza está na subjetividade, a chamada estética da subjetividade (observação de Heidegger), para Nietzsche é mais importante a relação íntima do artista, do que o objeto produto final.





Apolo e Dionísio são os dois deuses gregos que Nietzsche invoca para determinar a criação e contemplação artística. O produto dessa dualidade é a arte e sua origem a vontade (suprema e universal, tal como em Schopenhauer)


Apolo e Dionísio representam as duas pulsões artísticas, e suas relações possuem fundamentos psicológicos. Com isso Nietzsche consegue unir a questão estética, com a ética. Apolo é o deus da aparência, é o que dá a forma unificada o aspecto de beleza. Esse deus refere-se a segurança do igual e identificável, ao mesmo tempo que impede o mergulho no próprio ser e no auto conhecimento das paixões e caos. Esta pulsão representa a possibilidade da relação do homem no mundo, pois ele é a ordem e a medida, e funciona como um "escudo" entre o mais profundo e "perverso" do ser humano, e a cultura. Apolo seria o deus das artes plásticas, e em metade da poesia, segundo Nietzsche, pois é representado por formas identificáveis, ou seja, está submetido a alguma ordem.


Dionísio seria o deus que mais representaria esse pessimismo romântico. Ele é representado pela música, pois essa arte não se expressa através de formas identificáveis, é uma arte livre puramente manifestada pelo sensível. A musica não se prende a um ideal estético de forma, de significação imediata, a beleza está totalmente ligada ao sensível. Nessa pulsão, que condiz com um estado de embriaguez, a imaginação é livre, livre das formas e singularidades garantidas pela pulsão apolínea. Por isso o dionisíaco é aquela pulsão da destruição, e do novo, eu digo que é a pulsão revolucionária, pois compreende exatamente como está o homem em seu tempo, sem prender-se a crenças, ou coisa parecida.


Nietzsche acaba por atribuir à arte uma liberdade só antes vista com Kant. A beleza da arte está em sua materialização da existência humana. Isso acontece por estar na origem da arte a força da "Vontade" (suprema e universal). Essa vontade que é plural, que não se submete a padrões, garante com isso uma autentica representação da existência humana, é ela que irá fazer funcionar as pulsões apolíneas e dionisíacas.


Analisando a arte depois de Nietzsche. Reconhecer uma liberdade artística, afirmada através do reconhecimento da beleza nas condições mais íntimas de um individuo é um pensamento diretamente conectado com as manifestações de arte atualmente. Poderíamos lembrar de um movimento artístico, que parece buscar exatamente esse potencial revolucionário através da experiência dionisíaca: os dadaístas, que se possuíam de algum objeto comum a nós, e o destruíam em busca de uma nova concepção que fosse subjetiva e que sua veracidade dependeria da livre imaginação do artista e do espectador. Assim como foi o movimento surrealista, e seus métodos baseados na ciência da psicanálise, as chamadas práticas de associação livre. Prática essa que visava a libertação da forma e dos padrões, em busca da verdade do individuo em seu mais íntimo estado


Atualmente a estética está preocupada com a questão da tecnologia. O mundo virtual está criando novas possibilidades, e a arte tecnológica está se ocupando disso. Como fazer uma relação entre a estética de Nietzsche e a arte que se manifesta nesse novo tempo e espaço. De fato há um grande relaxamento da "forma" e "aparência" de um sujeito quando ele se manifesta no mundo virtual. Ele não se afirma pra ninguém, é anônimo, sente-se livre, pois está na impossibilidade de ser julgado. A arte tecnológica por meio do virtual brinca com essa imaginação. Esse "desinteressado" da arte contemporânea se refere a sua dimensão estética que está pouco preocupada com o conteúdo e com a forma, e sim esta preocupada em manter o potencial imaginário do espectador, para ele assim, poder livremente contemplar. Neste momento, o que interessa é o processo, esse tempo de experimentação do mundo, de contemplação.


Poderia ser o mundo virtual uma forma de encontro dionisíaco?


  Autor:   Betty Martins





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